sexta-feira, 6 de abril de 2012

Coleta da Terra Santa


Rio de Janeiro, 06 de abril de 2012.

Estimadas(os) Internautas 

Paz e Bem!

 Estamos celebrando hoje a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Certamente, muitos de vocês participarão da Procissão do Cristo Morto, da leitura da Paixão e do Beijo da Cruz. Naquele momento em que estais beijando a Cruz, não esqueçais dos cristãos que vivem no local onde isto aconteceu e se tornou notícia no mundo todo, a Terra Santa! Lá, vivem cristãos católicos e ortodoxos, como testemunhas vivas da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Porém, tais cristãos sofrem, pela falta de condições de vida, de trabalho, pela pressão das demais Religiões. Também os Frades Franciscanos, como guardiães dos Lugares Santos, não conseguem se manter, a não ser com a ajuda das Coletas da Terra Santa e dos peregrinos que por lá deixam sua contribuição!
Diante disso, vimos humildemente pedir a tua contribuição para manter os Lugares Santos. Se tu colocares a oferta no momento do beijo da Cruz, tal oferta será destinada, através das Paróquias e Dioceses, até nós, que enviaremos fielmente este dinheiro para os Lugares Santos. E se tu não colocares a tua generosidade naquele instante, poderás fazê-lo em outro momento, depositando a tua valiosa contribuição na conta abaixo:

Obra Pia da Terra Santa
Bco. Bradesco – Ag. 3403-7 (Petrópolis)
Conta corrente n° 11174-0

NB: Se você precisar de recibo, nos envie o comprovante do depósito, via e-mail para: pimuller@hotmail.com ou via Fax: (21) 2262-3772,  para que possamos prestar conta da tua generosidade. Se nos enviarem o CNPJ, vos enviaremos também o recibo.

Em nome da Equipe do nosso Comissariado, e das pedras vivas que vivem na Terra Santa, desejo-te uma Abençoada Páscoa, com sinais de Ressurreição a ti e a todos os familiares, amigos pessoais ou amigos virtuais das redes sociais,


Frei Ivo Müller, OFM
Comissário da Terra Santa

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Emergência Síria: apelo do Custódio da Terra Santa

Custódio da Terra Santa_Fra Pierbattista Pizzaballa

16 fevereiro 2012
Após as mudanças ocorridas no Egito, a situação na qual se encontra a Síria, mostra de maneira inequívoca a transformação que está ocorrendo no panorama do Oriente Médio. Até um ano atrás era impossível prever cenário semelhante.

Nestes meses de grande tensão, quando a Síria é dilacerada por conflitos internos e a situação parece cada vez mais assumir características de guerra civil, os franciscanos, juntamente com alguns membros da Igreja Latina, estão empenhados em socorrer as necessidades da população crista local.

A Custódia está presente em diversas zonas do País: Damasco, Aleppo, Latakia, Oronte.

Os dispensários médicos dos conventos franciscanos, segundo a tradição da Custódia, transformam-se em lugares de refúgio e de acolhida para todos, sem alguma diferença entre as etnias dos Alauítas, Sunitas, Cristãos ou rebeldes e forças governamentais.

Num momento de total confusão e desanimo, muitas empresas, especialmente de importação e exportação fecharam suas portas. Dos milhares de turistas, que alimentavam uma moderna e florescente indústria, que ofereciam centenas de postos de trabalho no setor dos transportes, hotelaria, serviços, não existe mais nenhum sinal.

Os produtores agrícolas estão em graves dificuldades. O embargo internacional impede qualquer possibilidade de exportação e os preços despencaram. As faixas mais pobres da população foram atingidos de maneira impiedosa e sofrem coma a falta de energia elétrica e de água. Nas grandes cidades a energia elétrica falta por diversas horas do dia. A gasolina é racionada. Tudo isso cria enormes dificuldades à população, obrigada a enfrentar as temperaturas do inverno sem possibilidade de aquecer-se.

Estar com as pessoas, acolher e assistir quem se encontra em necessidade, sem distinção de raça, religião e nacionalidade; garantir, com confiante presença o atendimento religioso aos fiéis para que compreendam a importância de permanecerem no próprio país, esta é nossa missão.

Este é o sentido da missão franciscana. Em tempos assim, não muito diferentes daqueles nos quais São Francisco se dirigia aos frades exortando-os a manter vivos os valores do Evangelho. Nas suas exortações simples, Francisco irradiava a graça recebida do Senhor e, na experiência da vida cotidiana testemunhava a acolhida da fé, como o bem maior e mais precioso a ser cultivado e revigorado. Nós frades, que nos sentimos ricos desse extraordinário exemplo, herdado sem nenhum mérito, temos o dever de partilhar e difundir o ensinamento do nosso mestre às futuras gerações , para que possamos prosseguir o caminho por ele traçado com imenso amor e humilde dedicação.

Pedimos a todos os amigos da ATS Pro Terra Sancta de apoiar, com um gesto concreto, os numerosos cristãos sírios e as obras de caridade da Custódia da Terra Santa. As ajudas conseguidas serão entregues, de imediato, aos frades que residem na Síria, que providenciarão a utilizá-las de maneira cuidadosa e transparente.

Agradeço aos que poderão difundir este apelo e os saúdo com o desejo de Paz e Bem!

Frei Pierbattista Pizzaballa, OFM
Custódio da Terra Santa


Fonte: http://pt.custodia.org/default.asp?id=2048&id_n=19581

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Congresso Internacional dos Comissários da Terra Santa


Aconteceu em Jerusalém, Convento de São Salvador, do dia 30 janeiro a 04 de fevereiro do corrente ano, o III Congresso Internacional dos Comissários da Terra santa, que reuniu representantes de várias nações, assim distribuídas: Espanha (11), Itália (35), Canadá (01), França (02), Malta (01), Panamá (01), Bolívia (01), Croácia (04), Portugal (01), Guatemala (02), Estados Unidos (07), Suíça (01), Israel (01), Irlanda (01), Equador (01), Polônia (02), Filipinas (01), Brasil (05), México (05), Eslovênia (01), Alemanha (02), El Salvador (01), Singapura (01), Chile (02), Colômbia (01), Austrália (01), Hungria (01), Indonésia (01). A hospedagem foi acomodada na Casa Nova de Jerusalém e no Convento São Salvador. As línguas oficiais do Congresso foram o italiano, o espanhol e o inglês, que eram traduzidas simultaneamente por três tradutores. 

As finalidades deste Congresso foram norteadas pelos seguintes verbos: comunicar, compartilhar e individuar as estratégias sobre algumas problemáticas relativas à Custódia e os Comissários. A metodologia usada foi a expositiva, seguida de trabalhos em grupos. Na parte da manhã aconteciam as exposições, seguidas de questões levantadas pelos Comissários e, na parte da tarde, trabalhos em grupos linguísticos (italiano, espanhol e inglês). A plataforma do debate versou sobre as várias realidades dos Comissariados, sua relação com as Províncias e a Custódia e, sobretudo, sobre na tentativa de elaborar algumas diretrizes que possam esclarecer melhor a missão dos Comissários e sua relação com a Custódia (Vademecum).

As celebrações (missas, laudes e vésperas) aconteceram no Convento de São Salvador, Santo Sepulcro, Belém e a Via Sacra com os peregrinos, pelas ruas da cidade velha de Jerusalém.

Traduzo abaixo alguns trechos da mensagem final em italiano, deixada pelos Comissários da Terra Santa:
“Rezamos juntos nos Lugares Santos da Redenção, peregrinamos pelas ruas de Jerusalém fazendo memória da Paixão de Cristo e da sua Ressurreição. Refletimos e discutimos, durante uma semana, sobre a nossa identidade, sobre o nosso papel e nossa missão de Frades Menores a serviço da Terra Santa, sobre a dedicação no campo da comunicação e sobre a importância das relações com as dioceses e grupos eclesiais espalhados pelo mundo afora.
Compartilhamos as experiências, as dificuldades e as alegrias de quem atua em contextos tão diversificados, em diferentes ângulos do mundo, diferentes em sua história, cultura e tradições. Como humildes filhos de São Francisco, a quem devemos o nosso amor e a nossa dedicação há mais de oito século a favor da Terra Santa, nos interrogamos sobre a nossa modalidade de empenho e sobre como encarnar o Evangelho e transmitir a alegria de nossa fé a todos as pessoas que encontramos em nosso caminho.
Tendo em vista a melhor eficácia de nosso empenho, dedicamos grande parte de nossos trabalhos na redação de um Vademecum, no escopo de acompanhar a obra dos Comissários nas várias etapas do seu apostolado e no delicado compromisso do sustento material a favor da Terra Santa, na relação com as dioceses e outras realidades eclesiais.
Esta bonita experiência de encontro e partilha nos permitiu conhecer muitos leigos e colaboradores que compartilham conosco o amor pela Terra Santa, no empenho e sustento de nossas atividades. A eles, queremos externar a nossa particular gratidão.
No final desta “semana de graça”, recolhemos algumas conclusões, que miram orientar melhor a nossa missão de Frades Menores a serviço da Terra Santa:
1.    A missão dos Comissários da Terra Santa, que é parte integrante do empenho missionário da Ordem dos Frades Menores, manifesta-se no sustento da Custódia da Terra Santa. Trabalhando em comunhão com a fraternidade provincial e com as diversas realidades eclesiais do próprio país, o Comissário da Terra Santa promove o conhecimento desta Santa, como lugar para aprofundar a Palavra de Deus e a experiência de Cristo. Nos Lugares Santos, encontram-se as pedras vivas, as comunidades cristãs com suas problemáticas humanas, sociais e religiosas. Neste contexto histórico do Oriente Médio, percurso de transformações políticas que ulteriormente colocam em risco a presença cristã, queremos continuar e fazer presente a beleza e a força da tradição cristã desta Terra, à qual temos um sentido de pertença e que é parte integrante do caráter deste país;
2.  Num mundo em rápida evolução e mudanças, nos empenhamos em identificar sempre novas modalidades de dedicação e de animação a favor da Terra Santa. Dentre estas, há uma particular importância a comunicação, onde queremos nos empenhar, melhorando posteriormente todos os nossos meios e formas (revistas, TV, internet e redes sociais), capazes de falar de Cristo e da Terra Santa ao ser humano de hoje;
3.   O ano da fé, anunciado pelo Papa Bento XVI, será uma ulterior ocasião para conhecer e aproximar-se da Terra Santa. Através da promoção de peregrinações, nos dedicaremos como primeiros a testemunhar a fé, a escutar e transmitir à Igreja universal a peculiar graça dos Lugares Santos, que primeiro nos conquistou e a partir disto, queremos ser os seus alegres arautos.

Como nos lembrou o Ministro Geral em sua homilia durante a solene abertura do nosso Congresso, compete a nós, como disse João em sua primeira Carta: ‘aquilo que ouvimos, aquilo que vimos com os nossos olhos, aquilo que contemplamos e tocamos com nossas mãos’, disto todos nós, Comissários da Terra Santa, somos testemunhas e apaixonados anunciadores”.

Diga-se de passagem que também foi comunicado, durante o Congresso, que estamos iniciando a publicação da Revista Terra Santa, em português. Tal revista, que já é publicada em quatro a seis edições anuais, em italiano, espanhol, inglês, polonês e árabe, será elaborada e traduzida por alguns Comissários aqui do Brasil, com a colaboração do Comissário de Portugal, e editada pelas Edições da Terra Santa, de Milão. A parte gráfica e distribuição, será confiada à rede Canção Nova, que se apresenta como um canal de divulgação dos Lugares Santos, especialmente pela TV e peregrinações (Obra de Maria). A primeira edição está em gestação e deve sair já na Páscoa deste ano.

Pelos Comissários e Vice-comissários do Brasil,

Frei Ivo Müller, OFM






quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

"Embaixadores” da Custódia no mundo: III Congresso Internacional dos Comissários da Terra Santa

Comissários da Terra Santa

Será realizado em Jerusalém o III Congresso internacional dos Comissários da Terra Santa, dos dias 30 de janeiro a 4 de fevereiro. Um evento de relevo dentre os encontros periódicos aos quais os Comissários são chamados para o confronto, troca e atualização recíproca, segundo previsto na legislação custodial. Os Comissários são figuras preciosas, podem ser definidos como “embaixadores” da Custódia da Terra Santa e funcionam como “pontes” entre a Custódia e os territórios a eles confiados, isto é, as diversas Províncias as quais pertencem. Como representantes da Custódia no mundo, colaboram no sustento e ajuda na sua missão, empenhando-se em diversas frentes: fazer conhecer e amar a Terra Santa, organizar e animar os peregrinos, recolher benfeitorias, cuidar das vocações orientadas à Terra Santa.

Os Congressos internacionais são compromissos muito esperados e atentamente preparados, e têm como objetivo cumprir a importante tarefa de aproximar as realidades da Custódia e dos Comissários, desenvolvendo e reforçando o diálogo entre as diversas partes, procurando assim responder as respectivas expectativas. No intuito de intensificar estas relações foram instituídos alguns meses atrás, sob explícita demanda e recomendação do Congresso Internacional dos Comissários anterior, realizado em 2006, o Escritório Custodial para a Coordenação dos Comissariados da Terra Santa. Trata-se de uma competência nova na história da Custódia, que surge para servir de auxílio ao governo custodial na relação com os Comissariados e na animação dos mesmos, e que tem entre seus deveres organizar os Congressos Internacionais.

No que diz respeito à internacionalidade que constitui uma característica histórica da Custódia da Terra Santa, também o Congresso dos Comissários contará com cerca de 110 participantes vindos do mundo inteiro entre os quais o Ministro Geral da Ordem, Frei José Rodriguez Carballo, o qual estará presente enquanto durar os trabalhos, como também a Cúria Geral, a Comissão econômica, a Cúria Custodial, os vice-comissários, especialistas, colaboradores, tradutores, secretários, fotógrafos, jornalistas. Um grupo variado e complexo, no qual estarão representadas as realidades franciscanas mais diversas de línguas, culturas e tradições, unidas no serviço à Terra Santa.

O programa de trabalho do Congresso, articulado em XXI sessões de trabalho, visa a individuação, comunicação e distribuição das oportunas estratégias de intervenção no que se refere a alguns problemas urgentes relacionados à Custódia e aos Comissariados. Os temas para aprofundamento compreendem alguns temas principais, para os quais estão previstos relatórios de especialistas que se concluirão com a formação de ao menos três perguntas, para indicar as pistas de trabalho para os grupos lingüísticos que após elaborar, apresentarão suas sínteses para a apreciação e discussão na assembléia, entre outros temas secundários, tratados através de breves comunicações voltadas a informar sobre alguns setores da vida da Custódia. As línguas previstas para o desenvolvimento dos trabalhos são: italiano, inglês e espanhol. Os três temas principais que serão submetidos à atenção dos Comissários durante este congresso serão: a situação econômica da Custódia e a contribuição dos Comissários, uma reflexão a partir das situações de crise e de incerteza econômica global, motivo pelo qual também a Custódia da Terra Santa se encontra em maiores dificuldades, dado que as necessidades aumentam enquanto a ajuda e recursos tendem a diminuir; as novas estratégias de comunicação da Custódia, um tema que pretende responder as novas expectativas e as novas exigências da comunicação atual, para as quais as estratégias tradicionais não são mais suficientes e que exigem a busca de novas modalidades de comunicação, instrumentos e conteúdos que façam apreciar e amar a Terra Santa; os aspectos pastorais e práticos da animação das peregrinações, com a realização de um texto de referência, ou seja, uma guia de trabalho, um manual que ajude aos Comissários a oferecer um serviço qualificado a Terra Santa e aos peregrinos que a visitam a partir de indicações fornecidas pelo Governo da Custódia. Em particular, um esboço deste texto de referência já foi enviado aos Comissários para que possam começar a examiná-lo e será novamente apresentado na assembléia plenária durante o Congresso por Frei Giorgio Vigna, responsável pelo recém criado Escritório para a Coordenação dos Comissariados da Terra Santa. Os grupos lingüísticos conduziram então um trabalho aprofundado de revisão e de re-elaboração do esboço, que será novamente discutido e submetido à aprovação de uma comissão designada. Ao término deste processo o texto será entregue ao Discretório para posterior aprovação e enfim, será transmitido ao Ministro Geral da Ordem.
O Congresso produzirá entre outros, um documento conclusivo dos trabalhos, também submetido a uma comissão, no qual serão indicados os temas levantados como tarefa das partes envolvidas, a Custódia e os Comissariados.

Texto de Caterina Foppa Pedretti

Fonte: http://pt.custodia.org/default.asp?id=2048&id_n=19174

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Festa do Batismo do Senhor no rio Jordão


Jericó, 8 de janeiro de 2012
Reaberto no ano passado pelas autoridades israelenses, o lugar ao longo das margens do Rio Jordão onde, desde o século V, se comemora o Batismo de Jesus, tornou a ser meta de muitos peregrinos, que agora podem visitar livremente este lugar, até os confins entre Israel e Jordânia. Aqui, na região do Deserto da Judéia, onde se estende a planície de Jericó, pouco distante da estrada para Tell es-Sultan, que hospeda a antiga Jericó e que conduz ao mosteiro greco-ortodoxo da Quarentena, as diversas confissões cristãs podem novamente celebrar as funções por ocasião da Epifania, que contempla também a liturgia do Batismo do Senhor. Também a comunidade franciscana da Custódia da Terra Santa, que por muito tempo comemorou o Batismo de Jesus na última quinta-feira do mês de outubro, como aconteceu até o ano passado, pôde finalmente organizar a tradicional peregrinação na data do dia 8 de janeiro, primeiro domingo que segue à Epifania, colocando-se de acordo com a linha do calendário litúrgico da Igreja Católica.

A comunidade franciscana, junto com o Custódio da Terra Santa, Frei Pierbattista Pizzaballa, participou com grande entusiasmo deste importante compromisso, onde participaram também muitíssimos cristãos locais, provenientes não somente das zonas israelitas e palestinas de Jerusalém, Jericó e Belém, mas também da Judéia e de outras regiões distantes. A este numeroso grupo se uniram também muitos peregrinos vindos da Jordânia para esta especial ocasião. A procissão, que partiu do convento do Bom Pastor, percorreu uma parte do deserto com cantos e orações, confluindo depois com as suas centenas de participantes, com a capela e com o altar situado a poucos passos das margens do Jordão. Deste lugar, descendendo uma breve escada, se chega ao espaço até o rio, onde, entre as palmas, foi preparado por ocasião um pequeno altar e ao redor dele foram colocadas algumas cadeiras para permitir às pessoas que assistissem à celebração da Santa Missa. Muitos, porém, não encontrando lugar na zona inferior, ao redor do altar, seguiram a celebração parados sobre a rampa de escadas, ao longo do balaustre do espaço superior.

A santa Missa, celebrada na presença das autoridades civis locais, foi presidida pelo padre Custódio, ladeado pelo Cardeal Giovanni Coppa, Núncio Apostólico emérito da República Tcheca, e por muitos confrades e outros sacerdotes concelebrantes. Durante a Santa Missa se desenvolveu também a cerimônia do batismo de quatro crianças da paróquia local, que tiveram um especial privilégio de receber este fundamental sacramento através da água do Rio Jordão. Do mesmo modo, no final da celebração eucarística, muitos quiseram aproximar-se do Jordão e banhar-se nas suas águas, derramando-se simbolicamente um pouco de água sobre a cabeça, recordando o gesto penitencial realizado tantas vezes neste lugar por São João Batista que Jesus mesmo, no início do Seu ministério público, aceitou receber (Mt 3, 13-17).

A peregrinação prosseguiu com a visita ao Mosteiro Greco-ortodoxo construído sobre o Monte da Quarentena, nome que remonta à Idade Média e está ligado à recordação, que aqui se conserva desde o século IV, dos quarenta dias transcorridos por Jesus no deserto e das suas tentações que, ao final deste longo retiro, Jesus teve que enfrentar em um grande confronto com o demônio (Mt 4,1-11). O belíssimo mosteiro, escavado na rocha, justamente sobre os montes que fazem fundo de Tell es-Sultan e que domina desde o nordeste a planície de Jericó, foi edificado até o final do século XIX pelos monges ortodoxos no entorno das grutas em que viviam os anacoretas do deserto que habitaram no lugar até o século V. Percorrido o caminho de grandes degraus que conduz ao mosteiro, o grupo, juntamente com os frades franciscanos, chegaram até o alto e pararam sobre o limiar do edifício para um breve momento de oração.
Acolhidos pelos monges Greco-ortodoxos que vivem neste lugar remoto, os peregrinos puderam apreciar a porta do mosteiro e imergir, por um breve tempo, na atmosfera deste sugestivo lugar. Cada um teve a possibilidade de visitar a igreja, correspondente a uma antiga gruta, e também o pequeno santuário ao qual se pode chegar subindo alguns degraus. Aqui, sobre o muro ocidental, há um nicho escavado na rocha onde se encontra uma pedra, marcada com uma cruz, que indica o lugar tradicional da primeira tentação de Jesus. Realmente esplêndido o panorama que se goza desta posição.

Jesus se apresenta no batismo de João colocando-se na fila com os pecadores, como se também ele fosse um pecador. Ele se faz próximo ao homem em tudo, aceita tudo por amor da humanidade e por obediência ao Pai e, por força desta sua magnitude e deste amor perfeito, o Pai O revela como o Filho predileto, o verdadeiro educador que deve ser escutado, o Bom Pastor a ser seguido. Escreve o Papa Bento XVI: “Jesus é aquele que “se abaixou” para fazer-se um de nós. Aquele que se fez homem e aceitou humilhar-se até a morte de cruz (Fil 2,7). O batismo de Jesus se coloca nesta lógica da humildade e da solidariedade: é o gesto daquele que quer fazer-se em tudo um de nós e se coloca realmente na fila com os pecadores; Ele, que é sem pecado, se deixa tratar como pecador (2Cor 5,21). [...] É o “servo de Deus” do qual falou o profeta Isaías (42,1). A sua humildade é ditada pelo querer estabelecer uma comunhão plena com a humanidade, pelo desejo de realizar uma verdade solidariedade com o homem e com a sua condição. O gesto de Jesus antecipa a cruz, a aceitação da morte pelos pecados do homem. Este ato de abaixamento com o qual Jesus quer conformar-se totalmente ao desígnio de amor do Pai e conformar-se conosco, manifesta a plena sintonia de vontade e de intenção que existe entre as três pessoas da Santíssima Trindade. Para tal ato de amor, o Espírito de Deus se manifesta e vem como uma pomba sobre Ele, e naquele momento o amor que une Jesus ao Pai é testemunhado a todos que assistem ao Batismo por uma voz do alto que todos ouvem. O Pai manifesta abertamente aos homens, a nós, a comunhão profunda que o liga ao Filho: a voz que ressoa do alto e atesta Jesus é obediente em tudo ao Pai e esta obediência é expressão do amor que os une entre eles. Por isso, o Pai coloca o seu agrado em Jesus, porque reconhece no agir do Filho o desejo de seguir em tudo à sua vontade: “Este é o Filho meu, o amado: nele coloco todo o meu agrado” (Mt 3,17). Esta palavra do Pai alude também, antecipadamente, à vitória da ressurreição e nos diz que devemos viver no agrado do Pai, comportando-se como Jesus”.

Texto de Caterina Foppa Pedretti
Foto de Alice Caputo


Fonte: http://pt.custodia.org/default.asp?id=2048&id_n=19009